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19/04/2012

Motivação: esta é com você

João Xavier



A motivação é tema frequente nos mais variados meios de comunicação. Artigos e matérias a respeito do assunto estão constantemente em pauta em diversas publicações, em especial nas destinadas à gestão de pessoas, carreiras ou de psicologia organizacional. 

Do ponto de vista corporativo, o assunto é recorrente pois as empresas anseiam, cada vez mais, por aprender a motivar suas equipes. Elas procuram fórmulas e receitas que promovam a motivação de seu pessoal, tendo em vista que seus resultados estão intrinsecamente ligados ao desempenho de seus profissionais, principalmente na era do conhecimento. E por falar em conhecimento, pergunto: qual o recipiente do conhecimento? A resposta é simples: ‘gente’. Mesmo que se coloque em prática a automação ou informatização dos processos, temos de lembrar que quem projeta máquinas e sistemas, quem os constrói e quem os mantêm são as pessoas. 

No que diz respeito à motivação, acredito que aqui resida o problema: quem se preocupa com a questão acaba por assumir a responsabilidade sobre ela. É aquela velha máxima que diz “não pergunte, pois se assim fizer trará o problema para você”. Portanto, as empresas estão chamando para si a responsabilidade pela motivação de seus funcionários - o que, a meu ver, é um grande engano, pois entendo a motivação como responsabilidade do próprio indivíduo. 

Agora, sim, acredito ter causado um certo desconforto. Certamente o funcionário ou colaborador discordarão do meu ponto de vista, afinal conhecem bem todos os defeitos de sua empresa e sabem qual o estado de satisfação em que se encontram; e o empresário, executivo ou gestor, se por um lado irão aliviar-se por retirar essa responsabilidade dos ombros, por outro se questionarão: mas como transferir e até mesmo cobrar essa responsabilidade? 

Primeiramente, em relação às empresas sugiro mais objetividade. Recomendo que abordem a questão com o seguinte enfoque: as empresas não têm problemas com a motivação de seus funcionários, mas sim problemas de prevaricação e procrastinação. E isso sim pode ser gerenciado, medido e cobrado. O funcionário foi contratado para realizar, entregar e cumprir - e tudo isso deve independer do quanto motivado se encontra o profissional. 

Mesmo que nesse ponto surja a questão: “mas o funcionário motivado supera as metas!”. Sim, concordo, mas ainda assim o “estar motivado” depende somente dele. O máximo que a empresa pode fazer é atuar na satisfação por meio de estímulos e incentivos. 

Quem pode garantir que uma pessoa satisfeita é uma pessoa motivada? Concordo que os indivíduos satisfeitos têm maior probabilidade de estar motivados, mas podemos admitir que o contrário é verdadeiro? Ou seja, podemos aceitar como verdade que uma pessoa insatisfeita é, necessariamente, uma pessoa desmotivada? Podemos atribuir uma relação de causalidade (causa e efeito)? Eu entendo que não. 

Exemplifico: Posso não ter votado no candidato eleito para presidente, governador ou prefeito, e não concordar com sua política de governo, mas nem por isso deixo de produzir; 2) Temos muitos problemas relacionados à corrupção em nosso País, mas nem por isso estou desmotivado a ponto de não levantar todas as manhãs e dar o melhor de mim no trabalho, ou mesmo planejando mudar de país; 3) Estamos exaurindo nossos recursos naturais, mas nem por isso me deixo abater. Muito pelo contrário, me orgulho das poucas atitudes que tomei em relação a uma vida ecologicamente correta, buscando um consumo sustentável. 

Portanto, minha intenção com este artigo é a de devolver a responsabilidade da motivação para o indivíduo. Nenhuma empresa ou mercado são perfeitos; tampouco um país. Todos têm seus problemas e, por pior que sejam, não se justifica deixar desmotivar. Motive-se a mudar o ambiente ou, então, a si mesmo. Encerro este texto com uma frase de Roger Crawford que sintetiza bem a questão e certamente funcionará como um ótimo convite à reflexão: “Ter problemas na vida é inevitável, ser derrotado por eles é opcional”. 

* João Xavier, engenheiro e diretor geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos. E-mail: joaoxavier@ricardoxavier.com.br  (Artigo publicado no jornal Estado de Minas em 15/abril/2012)




   

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