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18/12/2007

No território dos engravatados

Francine Terra



“A elegância masculina é feita em grande parte daquilo que não se vê.”
Beau Brummell
 

Até um tempo atrás, roupa de homem no trabalho era terno e gravata e ponto. Hoje em dia, as coisas mudaram um pouco. Nem todo ambiente profissional é tão formal a ponto de exigir o “uniforme” no dia-a-dia e ainda há, cada vez mais, ambientes totalmente informais. Aliás, a informalidade na moda é uma tendência geral, explicada em grande parte pela supervalorização da juventude nos dias atuais. Antigamente, não havia moda “jovem”. A partir da adolescência, homens e mulheres se vestiam igualzinho aos adultos de 30, 40, 50 anos. A moda era lançada pelos grandes centros criadores de moda e o resto do mundo saía atrás copiando tudo. A partir dos anos 60, com os movimentos revolucionários liderados pela juventude e que exaltavam sobretudo a liberdade, o mundo passa a aceitar e adotar a moda jovem, informal e altamente conectada com tudo o que acontecia à sua volta, principalmente nas áreas ligadas a cultura, tecnologia e política. Hoje em dia, o conceito de individualidade é tão forte que grandes escritórios de pesquisa têm gente espalhada ao redor do globo com a tarefa de detectar, nas ruas, tendências de moda e comportamento que grandes empresas e designers poderosos comprarão a peso de ouro, e que você vai ver nas passarelas internacionais do ano que vem.

Com tanta liberdade de escolha e valorização do estilo pessoal, a moda ficou mais democrática mas isso não significa que ficou mais fácil se vestir. Pelo contrário, nesse cenário é preciso autoconhecimento e bastante informação para construir um estilo próprio que valorize sua identidade. E, no ambiente profissional, mais importante ainda é conhecer bem a empresa onde você trabalha e sua área de atuação. Pelo simples fato de que, no trabalho, você representa a sua empresa. Logo, a sua roupa e o seu comportamento devem transmitir uma mensagem coerente com a imagem que ela tem ou deseja ter no mercado.

No caso da moda masculina especificamente, o repertório do vestuário é menor e as evoluções ainda são um processo em andamento, se comparada à moda feminina. Mesmo assim, em função do grau de formalidade exigido nos diversos tipos de ambiente profissional encontrados hoje, especialistas vêm dividindo o mundo corporativo em 3: formais, informais, e muito informais. Vamos, numa série de artigos que começa com esse, para os ambientes formais (multinacionais, bancos, escritórios de advocacia etc.), “passear” pelo guarda-roupa de trabalho de cada um deles.

Ternos

O terno é composto de 3 peças: paletó, calça e colete, daí o nome. Mas, na verdade, o colete é pouco usado por aqui, nos trópicos, exceto no inverno, ocasiões solenes e quando a moda pede. O nome certo da dupla calça e paletó, que você compra como terno, é costume.

Observação: há muitos detalhes importantes que devem ser observados na hora de comprar um terno. Falaremos sobre cada um deles num artigo futuro. Por ora, esteja atento aos seguintes aspectos:

* Qualidade: essa é a palavra-chave aqui. Encare seu terno como um investimento, afinal, a maior parte do seu tempo você está dentro de um. Os baratos normalmente caem mal e duram pouco. Melhor ter 2 muito bons do que 4 baratos.

* Modelagem: a modelagem atual é mais ajustada ao corpo, mas se você não está em forma ou é do tipo conservador, a clássica, mais folgada, continua valendo.

* Tecidos: de lã fria como Súper 120 e Súper 150 são mais caros mas também mais confortáveis, tanto no verão quanto no inverno, e mais duráveis. Valem cada centavo.

* Abotoamento: ternos de 2 botões são os mais modernos (capriche na camisa e na gravata porque o paletó os deixa mais à mostra). O clássico é o de 3 botões, e o de 1, assim como o de 4, são mais sensíveis ao vaivém da moda.

* Comprimentos: o paletó deve cobrir completamente seu bumbum, a manga termina exatamente onde acaba o braço e começa a mão, e a calça deve cobrir o sapato tanto quanto o vinco desce reto até embaixo.

* Cores: azul-marinho e cinza - do claro ao escuro - são os ideais. Terno preto só para ocasiões solenes como um funeral, onde o marinho e o cinza, principalmente o escuro, também funcionam perfeitamente. Alguns especialistas o consideram sem-graça, a não ser que tenha alguma padronagem. De qualquer maneira, é praticamente um terno desnecessário. Terno bege, de dia, e no verão, pode (ainda que eu prefira o cinza-clarinho, que é muito mais bonito e moderno). E ninguém precisa de um terno marrom, combinado?

* Padronagens: risca-de-giz e xadrez são lindos e estão em alta. Conferem estilo ao visual, mas é preciso cuidado. Na dúvida, fique com os mais discretos.

Camisas

* Quantidade: tenha, no mínimo, 5 – uma para cada dia da semana, todas de excelente qualidade. Se você gosta, abotoaduras estão em alta e são muito chiques. E camisa social é aquela que não tem botão no colarinho.

* Modelagem: a moda aqui também pede proporções mais ajustadas ao corpo. A manga fica 1 cm para fora do paletó, nem mais nem menos.

* Colarinho: é um dos elementos do seu visual que mais ficam em evidência, por isso é tão importante. Os colarinhos não podem ser apertados e nem folgados demais. Para escolher uma camisa, você deverá saber o número de seu colarinho mas, mesmo assim, deve experimentá-la sempre. Há um tipo certo de colarinho para cada rosto, estilo e ocasião (falaremos de cada um deles num artigo futuro). Mas, na dúvida, prefira um colarinho mais longo, ou um mais aberto, pois esses são os que atendem a diversos biotipos e situações.

* Tecidos: algodão bom. O resto está fora de questão.

* Cores: podem ser 3 brancas, 1 azul-clarinho e 1 listradinha (tipo azul com branco). Depois vêm: mais brancas, listradinhas de azul ou cinza com branco, azuis e os tons de rosa-clarinho e lilás.

* Padronagens: lisas (as mais chiques), listradas (quanto menor a listra, mais fina a camisa), xadrez miúdo, falso liso (a própria trama do tecido confere um aspecto de “estampa”), oxford(tecido feito de algodão, misturando fios brancos e coloridos; por ser um tecido mais encorpado, é apropriado para camisas de meia-estação e inverno), mescla.

* Monogramas: se você gosta, tudo bem. Mas são totalmente desnecessários.

Sapatos

* Cores: você só precisa de 2 cores de sapatos, cintos e pastas – marrom (bem escuro) e preto, tudo da melhor qualidade que o seu bolso puder pagar.

* Materiais: couro bom. Assunto encerrado.

* Modelos: liso, de amarrar e solado de couro, o Oxford é o mais básico e chique de todos. Aquele com fivela lateral, o Monkstrap, voltou à moda e pode compor um visual chique e moderno.

Gravatas

* Proporção: se você é moderno e o corpinho ajuda, a silhueta da moda pede camisas e ternos mais ajustados e gravatas mais finas. As grossas são usadas com nó simples ou duplo e as tradicionais, com 8 cm de largura, em média, são as mais fáceis de usar e as mais versáteis.

* Tecidos: 100% seda, de preferência italiana. E sempre desfaça o nó antes de guardar.

* Padronagens: as mais atuais são as lisas, listradas (as chamadas regimentais, com listras diagonais) e falsas lisas (aquelas de uma cor só, mas com relevo).

* Cores: aqui é o lugar ideal para você abusar delas e conferir mais personalidade ao seu visual.

* Comprimentos: a ponta sempre na altura da fivela do cinto.

* Tipos de nós: cada gravata e cada colarinho pedem um tipo de nó. Os mais conhecidos são 4 clique aqui para entender como se faz cada um:

* Simples (também conhecido como four-in-hand ou nó americano): o mais fácil, prático e democrático, fica bem com todo tipo de colarinho e gravatas e é o mais usado por aqui.

* Duplo: é mais amplo do que o simples e um pouco mais formal, mas igualmente versátil - também combina com quase todas as ocasiões e tipos de gravatas, mas fica melhor com as finas ou médias.

* Semi-Windsor: volumoso, parecido com o Windsor, mas mais fácil de fazer, pede colarinho mais aberto e gravatas de tecidos finos.

* Windsor: é o nó mais volumoso e formal de todos, exige colarinho bem aberto, como o italiano, e gravatas de tecidos leves. Para momentos em que você quer ou precisa impressionar, como entrevistas de emprego.

* Borboleta: só acompanhando o smoking em festas black-tie e nunca com o laço pronto!

Meias

* Comprimentos: devem ser longas - quando você senta e cruza as pernas a canela não deve aparecer!

* Tecidos: seda ou algodão.

* Cores: marinho, preto e marrom. Combinações: o mais fácil é coordenar com a cor do sapato. Pode combinar também com calças e camisas, nunca com o cinto.

Pastas

Invista numa boa pasta de couro, pra durar anos. Misturas com lona ou nylon também fazem bonito. Pode ser preta ou marrom.

Óculos e relógios

Só pra variar, o melhor que você puder comprar. E um relógio poderoso é tudo que você precisa para dar aquele toque pessoal ao seu outfit.

Modelos esportivos não vão a escritórios formais.

Boas combinações de terno + camisa + gravata + meias + cinto + sapato

Terno bege + camisa de listras/xadrezinha bordô, vermelha ou rosa/lilás lisa + gravata em tons de bordô ou rosa/lilás + meia marrom + sapato e cinto marrons.

* Terno bege + camisa de listras/xadrezinha azul + gravata azul-marinho e/ou estampada + meia marinho + sapato e cinto marrons.

* Terno azul-marinho + camisa branca ou azul + gravata estampada + meia marinho + sapato e cinto marrons ou pretos.

* Terno azul-marinho escuro + camisa branca ou azul + gravata nos tons de marinho/estampada + meia marinho + sapato e cinto pretos.

* Terno cinza + camisa branca ou azul-claro + gravata nos tons de azul + meia marinho + sapato e cinto pretos.

* Terno cinza + camisa branca + gravata nos tons de vermelho + meia preta + sapato e cinto pretos.

Terno cinza + camisa branca + gravata nos tons de rosa/lilás/azul-claro + meia preta + sapato e cinto pretos.

* Terno cinza + camisa rosa/lilás/azul-claro + gravata nos tons de rosa/lilás/azul-claro + meia marrom + sapato e cinto marrons.

Casual Day

Se a sua empresa tem o Casual Day, esse é o dia para:

* Terno sem gravata: mas tem que ser o slim fit, esse com modelagem mais ajustada - paletó acinturado e calça mais justa - de que eu falo sempre.

* Calça jeans escura, modelo tradicional - o famoso five pockets com perna reta -, de sarja ou alfaiataria.

* Blazer: outra peça que você deve encarar como um investimento. No verão, prefira os de algodão (pode ser desestruturado, aquele sem forro e ombreiras) ou lã fria. No inverno, xadrezes e tweeds em geral; e veludo, que é chiquérrimo e pode ser mais ou menos esportivo - o liso tende a ser mais classudo e o cotelê, mais informal – nas cores marinho, cinza, preto, verde-escuro ou tons de bege até o marrom-escuro.

* Camisa mais esportiva, porém em cores e padronagens ainda discretas. O chambray (mescla de fio de algodão branco e índigo cuja versão clássica é azul) andou sumido uns bons anos mas começa a ser visto lá fora de novo. Não sei se vai pegar mas eu acho lindo e recomendo.

* Pólos coloridas: pode ser uma cor forte como verde-bandeira ou azulão, mas de preferência lisa. As listradas voltaram à moda por causa da onda vintage, mas não combinam com escritórios formais, nem no casual day.

* Malhas de tricô de algodão: pode ser sobre a pele mesmo ou sob uma jaqueta ou casaco, de preferência numa cor neutra.

* Jaqueta de couro marrom ou um tecido tecnológico (qualquer cor neutra ou escura como verde-musgo) em modelagens não tão esportivas.

* Mocassins de couro ou camurça, sem meias, ou botina de camurça marrom.

Por fim...

Lembre-se de que escritórios formais não são lugares para grandes arroubos de estilo pessoal, por mais que você domine o assunto. Mostre que você é um homem elegante nos detalhes: roupas de boa qualidade, mas sem ostentar grife, um bom relógio, uma boa caneta, uma gravata linda, sapatos sempre limpos e conservados, barba feita, corte de cabelo em dia, perfume bom (sem exagero) e educação no trato com as pessoas, sempre e em primeiro lugar. Dê uma passadinha aqui, para se inspirar!

Fontes: “Chic: Homem” e “Chic[érrimo]: Moda e Etiqueta em Novo Regime”, ambos de Gloria Kalil, Ed. Senac; Guias de estilo da Revista VIP, Ed. Abril; o blog Homens Modernos; e os sites www.belsilver.com e www.men.style.com 

*Francine Terra é consultora de imagem. Formada em Propaganda e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, especializou-se nas áreas de Moda, Estilo e Comportamento, e vem desenvolvendo diversos projetos como consultora pessoal e corporativa. 
E-mail: francineterra@yahoo.com.br




   

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