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18/12/2007

O trabalho na onda da sustentabilidade

Ricardo Xavier



Qualquer empreendimento, até mesmo o altruísta, se baseia em dois fatores fundamentais: capital e trabalho. O capital pode ser, genericamente, representado pelo tecnológico, ou seja, pelos investimentos em instalações, máquinas, equipamentos, matérias-primas, tecnologias em geral, finanças, etc. – e o trabalho é representado pela mão-de-obra que compõe, também, o chamado capital intangível das empresas e dos negócios. Assim, na gestão de capital e trabalho – máquinas e pessoas – não se pode perder essa perspectiva.
A explicação é necessária porque, no mundo em que vivemos, os gestores estão cada vez mais sendo solicitados a praticar sustentabilidade; e isso nada mais é do que promover da melhor maneira possível a integração entre capital e trabalho, de modo que se tenha o melhor resultado com um mínimo de perdas ambientais. Parece simples, mas não é porque o homem moderno se acostumou a ser desperdiçador.
No caso brasileiro, somos ainda mais gastadores do que outros povos que enfrentaram guerras e privações diversas. A maioria das pessoas estão acostumadas a desperdiçar tanto em casa quanto no trabalho. O ato mais gritante disso são as montanhas de lixo – por sinal, muito rico – que caracterizam os países em desenvolvimento. São esses países também que, sendo desperdiçadores e produtores de toneladas e mais toneladas de resíduos, acabam, paradoxalmente, servindo de exemplo de reciclagem.
Muitas das empresas modernas aprenderam também, recentemente, que os recursos naturais (capital/matéria-prima) estão ficando cada vez mais escassos e, por isso, muito caros. Daí a prevalência da sustentabilidade. O erro mais comum que se comete nessa área é misturar e/ou substituir o tecnológico com o orgânico.
Um exemplo emblemático vem da China, onde a produção de potes de cerâmica, historicamente embalados em caixotes de madeira e protegidos com palha de arroz, agora são exportados em caixas plásticas. Além disso, para reduzir o risco de quebra do pote, a caixa segue plena de bolinhas de isopor. Assim, aquilo que antes era biodegradável – caixa de madeira e cascas de arroz – passou a ser lixo (plástico e isopor) da pior qualidade, pois ruim de reciclar e sem capacidade de a natureza transformar.
Vale chamar a atenção de casos como esse porque algumas empresas de ponta já estão treinando seus gestores para reciclarem suas cabeças e trazer melhores resultados ao negócio mediante o melhor uso de matérias-primas e dos talentos que as transformam em produtos de consumo.
A Ford Motors, por exemplo, em sua sede em Rouge River (EUA), está produzindo uma linha de “desmontagem de veículos”, e promovendo um redesenho ecológico de todo o parque industrial, que já chegou a possuir 100 mil funcionários. A empresa não está fazendo outra coisa senão abrir a porta para uma segunda revolução industrial. Em resumo, a Ford entendeu que a quantidade de matéria-prima e a alta tecnologia embutidas num automóvel justificam o esforço de colocar o produto no mercado para uso durante alguns anos e, depois, trazê-lo de volta para ser desmontado e reciclado para se transformar num novo veículo. Fabricantes de televisores preparam-se para fazer algo semelhante. As pessoas compram uma assinatura de tv e recebem em casa um receptor que de tempos em tempos se torna obsoleto e é recolhido pelo fabricante para ser desmontado e ter suas matérias-primas reaproveitadas.
A tendência é a de que muitas das empresas se tornem fazedoras e recicladoras de produtos, reduzindo ao mínimo o lixo e suas inconveniências. Para que isso efetivamente ocorra, no entanto, é preciso que os gestores estejam preparados, treinados para gerenciar pessoas comprometidas com a nova ordem de sustentabilidade.

Ricardo Xavier, administrador de empresas, falecido em 19 de setembro de 2007, foi um dos fundadores da Ricardo Xavier Recursos Humanos (antiga Manager Consultoria).




   

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