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29/08/2014

Não doe seu sangue para a empresa

João Xavier



O trabalho exige muito de nós. É preciso cumprir horários, prazos, metas, seguir procedimentos, normas e sistemas; é com ele que gastamos a maior parte do nosso precioso tempo. Mas o trabalho também é fonte de satisfação, seja financeira, profissional, social ou pessoal.

Para avaliar nosso momento profissional, talvez, poderíamos pensar sobre o que realmente estamos dando em nosso trabalho: sangue, suor ou lágrimas? Qual o efeito colateral produzido ao longo de nossa jornada? Talvez esse possa ser um bom indicador para a qualidade da nossa atividade laboral.

“Dar o sangue” e “dar o suor” são termos frequentemente usados no nosso dia a dia e que remetem a uma ideia de grande esforço, de dedicação. A diferença entre os dois é que "dar o sangue" significa entregar a vida. Significa – quase - morrer de tanto trabalhar. Já “dar o suor” significa trabalhar duro, pesado, chegando ao esgotamento das energias, mas não a ponto de morrer.

Lembro-me de uma funcionária que na sua primeira semana de trabalho doou sangue para nosso presidente que estava internado tratando de um câncer e precisando de doações. Não perdi o ensejo e falei “essa chegou dando o sangue pela empresa!”. Infelizmente, foi só daquela vez. Depois, ela nunca mais doou seu sangue nem para a empresa nem para outros necessitados. E suar que é bom, nada.

Dar o suor é importante, é necessário para a empresa e para a própria carreira. Na Bíblia, está escrito que obteremos o pão com o suor do nosso rosto. É inegável que, normalmente, quanto maior o esforço, maior a recompensa: “no pain no gain”.

Hoje, dar o sangue pela empresa – gesto que um dia já foi meritório – soa nada romântico. Se você está precisando se matar para produzir resultado, então algo está errado! O sangue só pode ser concedido para outra vida – doe seu sangue para seus filhos, seus pais ou mesmo para um desconhecido através de um banco de sangue, mas, para a empresa, para negócios, para o capital – jamais! Opte mesmo pelo suor.

Deixei as lágrimas para o final, pois sobre essas quase não se fala no mundo empresarial, apesar de muito, mas muito mesmo, presentes no dia a dia. Acontece que no mundo dos negócios não há espaço para a emoção – tremendo erro, pois gastamos muito tempo lidando com nossos sentimentos e mais tempo ainda nos protegendo dos outros. O custo por trás das lágrimas é muito alto, apesar de invisível.

Choramos no trabalho por causa de injustiças, desconsideração, desrespeito, ofensas, ansiedade, medo, calúnias. Aliás, choramos não só no trabalho, mas em casa por causa dele. Enquanto o sangue ou o suor você doa e pronto, está doado, ou seja, acabou o esforço, terminou a tarefa, saiu do trabalho, não se sua nem se sangra mais – as lágrimas, essas podem continuar a escorrer por horas, dias e em qualquer lugar. Basta lembrar-se e pronto: principia-se o ressentir!

Ter dias ruins, difíceis, tristes é parte do trabalho, mas se persistirem os sintomas, outro emprego deverá ser procurado.

*João Xavier, engenheiro e diretor geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos.
Artigo Publicado no Olhar Digital em 25/08/14


   

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