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29/01/2012

Vencer o maior concorrente

João Xavier



Vivemos em uma época de intensa competição em todas as esferas da vida, mas pouco refletimos sobre a natureza da concorrência e sua adequada orientação. Na essência, a competição é produtiva, tanto quanto a cooperação. Contudo, se inadequadamente orientada é uma permanente fonte de desgaste emocional e ineficiência, tanto no âmbito da organização, como na condução da carreira profissional. Na estratégia e administração da carreira, o profissional fará bem se parar para pensar sobre o que é a boa competição e qual a postura que deve adotar em relação aos competidores.

Muitos profissionais erram por estabelecer um foco inadequado para seus esforços competitivos. Competem contra aqueles que julgam serem seus maiores concorrentes, seja na busca de cargos mais altos na hierarquia empresarial ou na conquista de maior clientela na carreira de profissional autônomo ou empreendedor. Só é válida a ideia de competir contra quando efetivamente o outro estiver causando um mal à empresa ou à sociedade. Via de regra, o melhor é cooperar com o concorrente, pois o foco ético e eficaz da competição é buscar o melhor para a comunidade e não vencer os competidores. Se o concorrente for o melhor exemplo, devemos aplaudi-lo, usá-lo como modelo e até cooperar com ele.

O leitor acha essas ideias românticas e inadequadas ao selvagem mundo do mercado? Pois a nossa experiência na assessoria de carreiras, no contato permanente com profissionais em transição de carreira de todos os níveis e áreas, mostra que elas não são nem românticas nem inadequadas. Percebemos que, em geral, quando o profissional elege o outro como obstáculo ao seu crescimento, ele desperdiça tempo e energia, desenvolve um perfil emocional improdutivo e toma decisões inadequadas. O maior obstáculo à plena realização do profissional, em consonância com sua qualificação, é ele próprio. Usualmente seu maior competidor não é o outro, mas ele mesmo.

Na busca da postura concorrencial ética e eficaz há uma pergunta certa e uma errada. A pergunta errada é: como posso suplantar meu concorrente? Essa questão leva à eleição do concorrente como objeto de atenção privilegiado. O que ele faz, como faz, o que tem de bom, por que agrada mais, quais suas fraquezas, suas forças, etc. Isto é querer atingir um modelo que já existe e tem sido eficaz: o perfil do outro. Tudo que ele é ou deixa de ser é bom para ele, pois cada um é ímpar. Quem perde tempo e energia observando os outros segue o caminho errado e, pior, acaba por desenvolver atitudes e posturas contra, que pode ser interpretada como despeito e desatenção para com o objetivo mais legítimo e fundamental - a satisfação pessoal, da organização ou do mercado.

A pergunta correta é: Como posso fazer mais por mim ou pela empresa ou para a comunidade? Quem tem a coragem de fazer essa questão a si mesmo vai descobrir que pode melhorar significativamente em várias áreas, seja no âmbito cognitivo, emocional ou comportamental. É sempre possível melhorar a qualificação, dar mais de si, transpirar mais na busca de soluções, participar e cooperar mais. Rapidamente os outros o perceberão e isso efetivamente trará impacto positivo sobre a carreira.

O assunto parece novo, mas não é. Sócrates já pensara sobre a excelência, pensamento que igualmente ocupou seus dois grandes sucessores, Platão e Aristóteles. Ele percebeu que o maior inimigo do homem é o próprio homem e que a busca da excelência envolve três conquistas fundamentais: autoconhecimento, autodomínio e autodirecionamento. Diz Aristóteles, na “Ética a Nicômaco”: “Todo homem busca um objetivo: sucesso ou alegria. A única maneira de atingir o verdadeiro sucesso é expressar-se completamente a serviço da sociedade”. Quer dizer, busque a excelência, dê o melhor de si, dedique-se aos objetivos da organização ou da comunidade. O foco certo foi sugerido por Einstein: em vez de buscar o sucesso, busque ser uma pessoa de valor.

Melhores pessoas, melhores empresas, melhor sociedade. Não é isso que tornará nossa vida melhor? Acredito seriamente que se deixarmos de lado a ideologia vazia e improdutiva que frequentemente marca sua presença no âmbito do mercado, teremos não só maior probabilidade de sucesso profissional, como também maior qualidade de vida. Cooperar é melhor que competir, e competir só pelas boas causas, como a competição contra suas próprias limitações para a autossuperação.

* João Xavier é engenheiro e diretor geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos. E-mail: joaoxavier@ricardoxavier.com.br  (Artigo publicado em 29/janeiro/2012 no jornal O Estado de S. Paulo)




   

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