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18/12/2007

Faculdade e sucesso

Ricardo Xavier



Uma discussão sobre escolaridade de homens de sucesso empresarial passou pelos jornais recentemente e uma informação em particular, publicada pelo Estadão, nos chamou a atenção. Segundo o texto, “para alguns empresários, a faculdade pode ser uma perda de tempo”. Isso porque, “dos 946 bilionários da lista da Forbes, 50 não têm nível superior”. Prosseguindo, o redator informou que esses bilionários “não são ilustres desconhecidos: entre eles estão Steve Jobs, da Apple, e Ralph Lauren, da grife que leva seu nome. Bill Gates, o ex-homem mais rico do mundo, só conseguiu um diploma (honorário) em Harvard, 30 anos após desistir das aulas e dedicar-se à produção e venda de softwares.”
Vale dizer que nos diversos setores da atividade humana há sempre um porcentual de pessoas com grande sucesso que, aparentemente, estão fora dos padrões de normalidade e aceitação para aquele perfil que geralmente acompanha quem se destaca. Cabe lembrar, por exemplo, o caso de Manoel Garrincha que, com suas pernas tortas, arrebatou os melhores e mais importantes títulos no futebol mundial. Pela lógica da elite esportiva e da Física, Garrincha mal poderia sustentar-se em pé, quanto mais jogar futebol. Ele, no entanto, esbanjava desconcertante talento nos gramados.
Outro exemplo é Albert Einstein, o cientista da Teoria da Relatividade, respeitado em todo o mundo, que, no entanto, não conhecia muitas das regrinhas básicas da aritmética.
Assim, não é de causar espanto que alguns homens de grande sucesso empresarial – esse é o caso de Bill Gates – não tenham passado pelo ensino formal de terceiro grau. Ter formação universitária não é, por si só, garantia de sucesso profissional. Mas a falta dela pode deixar muita gente para trás na quase sempre muito concorrida disputa por vaga no mercado de trabalho.
O que leva muitos concorrentes a perder pontos não é propriamente a falta do diploma universitário, e sim o descasamento entre o que se aprendeu na faculdade e as necessidades do mercado. Outro fator preponderante é também a qualidade do curso freqüentado e o desempenho dos professores e alunos. O Enade mostra bem isso ao indicar a quantidade de universitários que mal sabem expressar-se por escrito, quanto mais aplicar os conhecimentos a serviço da coletividade em empresas ou como microempresários e prestadores de serviços.
De outro lado, a formação universitária formal, em boas escolas, é sim fator preponderante para o sucesso na gestão das empresas. Basta ver que, no exemplo citado, num grupo de 946 empresários de sucesso, são apenas 50 (cerca de 5%) os que não têm o diploma universitário. Em outras palavras, muito mais gente chega ao topo das empresas com seus diplomas de nível superior. E não o contrário.
Um executivo que cursou faculdade, participa de grupos de discussão na Internet, além de fazer trabalho voluntário para combate ao diabetes, disse que, embora muitas das suas atividades não estejam ligadas diretamente a seu trabalho, elas ampliam seu network (rede de relacionamentos) e lhe permite o crescimento profissional. Hoje as empresas que estão em busca de gestores talentosos consideram mais valioso quem tem no currículo, além dos cursos, realizações profissionais que muitas vezes são dadas por experiências conseguidas fora de salas de aula. “Você não pode colocar no currículo que adora ler sobre psicanálise, mas pode listar seus sucessos em gestão de pessoas por ter esses conhecimentos”, diz um profissional da área.

Ricardo Xavier, administrador de empresas, falecido em 19 de setembro de 2007, foi um dos fundadores da Ricardo Xavier Recursos Humanos (antiga Manager Consultoria).




   

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