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18/12/2007

Marcas pessoais famosas

Francine Terra



"Se você não se veste bem todos os dias de sua vida, jamais estará bem vestida no sábado à noite."

Diana Vreeland, lendária editora da Vogue America, uma das publicações de moda mais respeitadas do mundo.


 

Continuando o artigo anterior "Qual é a sua marca pessoal?", seguem alguns exemplos de marcas pessoais famosas.

Observe que, de alguma maneira, todas essas são pessoas que construíram marcas pessoais vencedoras. Em alguns casos, minha opinião pode não lhes ser favorável mas provavelmente eu não faço parte de seus grupos de interlocutores. No final das contas, sua imagem tem que ser positiva para as pessoas que importam: as pessoas com as quais você se relaciona e que têm algum poder de interferência em sua vida.

Jô Soares: há quem goste e há quem não goste do seu estilo. Mas o fato é que seus ternos coloridos e bem-cortados, a gravata-borboleta, as criativas (e, às vezes, duvidosas) combinações de cores e outros detalhes, representam uma declaração visual sobre a sua personalidade: um homem inteligente, culto, informado, sociável, bem-humorado, curioso, vaidoso, ousado etc.

William Bonner: já aqui temos um belo exemplar de um homem que se reinventou (ou foi reinventado, nunca se sabe). Bonner sempre foi um modelo do homem formal, elegante e discreto. Mais tedioso impossível... mas aparentemente sempre funcionou. Quem poderia dizer que William Bonner não é uma pessoa de sucesso? Acontece que, de uns tempos pra cá, o apresentador do telejornal da Globo vem aparecendo com umas gravatas incríveis, uns ternos com padronagens cheias de personalidade e estilo como o risca-de-giz, o xadrez... moderno e chiquérrimo! Já Fátima vem tentando, mas ainda não chegou lá. Continua bonitinha e sem-graça, a despeito de sua tão afamada competência.

Aqui um parêntese importante para os engravatados: não basta decorar todas as combinações tradicionais de terno-camisa-gravata-cinto-meia-sapato. Tem que haver um toque pessoal no visual! Algo que dê personalidade, sem ser ostensivo, é claro. Uma caneta exclusiva, um relógio especial, uma gravata lindíssima numa combinação de cores inesperada, uma silhueta mais ajustada ao corpo, se você pode e o ambiente permite...

George Clooney: quem acompanha com atenção a carreira do ator já percebeu uma mudança em seu estilo. Hoje Clooney é considerado um dos homens mais elegantes e sofisticados de Hollywood. "Cool" e "low profile" também são adjetivos que se aplicam a ele. Mas não foi sempre assim. No começo da carreira, era bem mais descontraído, informal e esportivo. Logo, eu pergunto: de onde veio tanta classe? Será que veio com a idade simplesmente? Não creio. Tenho uma outra teoria: talvez a maturidade e as experiências vividas ao longo dos anos tenham provocado mudanças em suas ambições e em seu jeito de encarar a vida, o que, por sua vez, se refletiu em seu trabalho e também em sua imagem. Assim como escolhe seus filmes de forma diferente hoje, Clooney escolheu também essa imagem. Que, por sua vez, tem tudo a ver com seus trabalhos mais recentes. Não deixa de ser autêntica, mas certamente foi uma decisão consciente.

Donald Trump: o que você pensa quando olha pra ele? Pois é, é isso mesmo.

Roberto Justus: versão tupiniquim de Donald Trump, como todo mundo sabe. O que aquela imagem me diz: "eu sou inteligente, eu sou ambicioso, eu sou competitivo, eu sou arrojado, eu sou vencedor, eu sou rico, eu sou poderoso, eu sou chato ('Não mexe no meu cabelo!'), eu uso pó-de-arroz, eu sou (muito) vaidoso, eu gosto de posar para a Caras, eu gosto de me ver na TV, eu só me caso com loira".

Lula: sua figura me diz: "meu guarda-roupa foi cuidadosamente planejado e encomendado pelo meu personal stylist. A propósito, eu sou Presidente da República".

Martha Suplicy: "minhas grifes falam por mim." Coisa de primeira-dama de Terceiro Mundo, na minha modesta opinião. Francamente, quem escolhe a carreira política num país pobre deveria ter mais pudor em ostentar tanto luxo... Mas... quem pode dizer que Martha não é uma profissional de sucesso? Logo, sua imagem não é um equívoco, é um sintoma: ela reflete a cultura e a política de nosso país.

Condoleezza Rice: Secretária de Estado da nação mais poderosa do mundo. A imagem dela me diz: "eu sou Secretária de Estado da nação mais poderosa do mundo". 100% assertiva.

Xuxa: com mais de 40, ainda se sente tentada a usar o figurino de paquita. Nunca foi modelo de elegância ou estilo mas é ícone de uma geração inteira de brasileiros. Se não começar a se tocar, a situação pode ficar constrangedora. Ou não.

Bill Gates: "eu sou o nerd mais rico do mundo, eu fui um dos mentores de uma das mais importantes revoluções do século XX".

Chiquinho Scarpa: alguém lembra? Sim, maquiagem e salto alto eram sua marca registrada, além do título de "Conde", que ostenta até hoje. Bom, ouvi dizer um tempo atrás que contratou um personal stylist para dar uma "repaginada" em sua imagem de playboy dos anos 80. Fiquei pensando que, com a queda de popularidade desse tipo, talvez agora ele queira a imagem de um executivo. Eliminando todos os excessos, pode ser que venha mesmo a se parecer com alguém que trabalha. Vamos torcer.

Malu Mader: estrela global, é uma das (poucas) artistas de televisão que admiro. Não tanto pelo que me diz sua imagem mas, principalmente, pela coerência e pela consistência com que a construiu e vem mantendo ao longo dos anos. A propósito, leia-se: "eu sou clássica, eu sou sólida, eu sou prática, eu sou simples, eu sou fina, eu sou discreta, eu sou cool".

Gisele Bündchen: "eu tenho só 20 e poucos anos e já sou uma das mulheres mais poderosas do mundo. Sou também uma das mais belas e uma das mais ricas. Do mundo." Bom, essa é uma pessoa que pode quase tudo. Excluir dress code do vocabulário inclusive. Vai aonde quer, vestida como quer. Não que eu ache fino ignorar os códigos sociais. Não acho. Mas que ela pode, pode. E esteja certo de uma coisa: não foi sempre assim. Essa condição "acima do bem e do mal" não foi conquistada à custa somente da beleza descomunal, como muitos pensam. Foi, sobretudo, obra de determinação, disciplina, profissionalismo e adequação, sim, senhor. Uma bela combinação de talentos. Deu no que deu.

Rodrigo Santoro: Rodrigo Santoro é o retrato típico do artista que conquistou as primeiras oportunidades na carreira graças à beleza. Acontece que, de lá pra cá, vem se transformando num ator - além de bonito - talentoso e dedicado. Ele sabe que muitas vezes o que abre portas, ainda hoje, é sua beleza, mas não se importa desde que o projeto lhe pareça atraente ou represente uma oportunidade potencial de projetos futuros. Hoje escolhe seus trabalhos e está iniciando uma promissora carreira internacional. Poucos de sua geração chegaram tão longe.

Bernardinho: sua vocação para campeão está mais do que provada. Linha-dura e emocional, uma combinação pouco provável mas que, no esporte, parece ser uma estratégia vencedora. Disciplina rígida, trabalho duro, foco e determinação de um lado, e paixão, vontade de vencer e garra de outro.

Alex Atala: um dos maiores chefs de sua geração, é um cara simpático e afável que fala de um jeito pau-sa-do muito esquisito, pra não dizer profundamente irritante. Apresenta (ou apresentava, parece que saiu do ar) um programa de gastronomia na GNT, o "Mesa Pra Dois". Nunca consegui assistir até o fim.

Marília Gabriela: a credibilidade em pessoa. Se alguém tinha alguma dúvida, depois que a Vivo lançou sua última campanha institucional, não pode ter mais. Afinal, ninguém precisa mais de um porta-voz de credibilidade na televisão do que a Vivo. Também é muito elegante, clássica e gosta de garotões.

Constantino de Oliveira Júnior: há seis meses sua companhia protagonizou o mais grave acidente aéreo da história da aviação civil brasileira. Hoje anunciou a compra da nova Varig e começa a preparar a Gol, a mais jovem empresa aérea brasileira, para se transformar na maior do mercado. Nada mal. É o perfil típico do executivo jovem, discreto e arrojado.

Diogo Mainardi: o colunista da Veja é um especialista em angariar desafetos e processos por calúnia e difamação. Pessimista de carteirinha, é também rabugento e aparentemente não poupa ninguém. É amado por uns e odiado por outros, mas numa coisa todo mundo concorda: é provavelmente o jornalista brasileiro mais polêmico em atividade na grande mídia. Se era esse o objetivo...

E você? Qual é a sua marca pessoal?

*Francine Terra é consultora de imagem. Formada em Propaganda e Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e pós-graduada em Administração de Empresas pela FGV-EAESP, especializou-se nas áreas de Moda, Estilo e Comportamento, e vem desenvolvendo diversos projetos como consultora pessoal e corporativa. 
E-mail:
francineterra@yahoo.com.br




   

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