Página principal / entrevistas

O presidente da Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel), Roberto Mateus Ordine, é advogado formado pela Universidade Mackenzie com especialização em Direito Tributário pela Universidade de São Paulo (USP). Ele é membro do Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), diretor jurídico do Instituto Brasileiro de Terceirização na Construção e na Habitação (IBSTH) e consultor da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

06/12/2010


CONJUNTURA


Varejo do setor de beleza e higiene pessoal deve crescer 15%



Principal desafio para 2011 é adequar serviços às necessidades de consumidores das classes C e D

Wagner Belmonte e Neide Martingo

O presidente da Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel), Roberto Mateus Ordine, acredita que a alta nas vendas do setor, estimada em 15%, será maior do que a apurada em outros segmentos. “O comércio, de maneira geral, vem crescendo próximo deste percentual, segundo levantamento da Associação Comercial de São Paulo. No nosso setor, este percentual deve ser maior, em razão da melhoria da renda das famílias e dos lançamentos de produtos”, avalia Ordine.

Confiante, ele admite que uma das preocupações para 2011 recai sobre a possível alta de impostos e o excesso de burocracia. Ordine argumenta que o governo não deveria classificar produtos de beleza e higiene pessoal como supérfluos. “Os itens fabricados podem ser usados para praticar a chamada saúde preventiva”, diz. Criada em 2007, a Anabel está atenta a essa questão e pretende pressionar as autoridades.

Perfil - O presidente da Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza (Anabel), Roberto Mateus Ordine, é advogado formado pela Universidade Mackenzie com especialização em Direito Tributário pela Universidade de São Paulo (USP). Ele é membro do Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), sócio do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), diretor jurídico do Instituto Brasileiro de Terceirização na Construção e na Habitação (IBSTH) e consultor da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

Ricardo Xavier Recursos Humanos – Quanto o setor movimenta no País?

Roberto Mateus Ordine – O faturamento anual do setor é próximo de R$ 30 bilhões, que foi o volume registrado em 2009.

Ricardo Xavier RH Quantas empresas estão associadas?

Ordine – O número de associados da Anabel ainda é pequeno em relação ao número de lojas no Brasil. São cerca de 400 empresas, apenas. A representatividade, porém, é nacional, com lojas de todas as regiões do País, de Norte a Sul. Temos esperança de atrair no próximo ano um número bem expressivo de associados. Aos poucos, os empresários estão entendendo que é preciso unir o setor para ter maior representatividade.

Ricardo Xavier RH  O setor representa quantas lojas em todo o País?

Ordine – São aproximadamente 18 mil lojas em todo o Brasil – grandes, pequenas e micro. Nelas trabalham cerca de 80 mil pessoas. O motivo de não conhecermos o número exato de lojas envolve a falta de estatísticas do setor e também o fato de, infelizmente, um número expressivo de pequenas e micro empresas fecharem suas portas a cada ano, como mostram os dados do Sebrae. O índice de empresas obrigadas a encerrar as atividades supera os 90%. Esta é a triste realidade, mas acreditamos numa alteração deste quadro em razão do bom momento que a economia atravessa.

Ricardo Xavier RH  Hoje, as empresas do setor enfrentam redes de drogarias e até supermercados. Qual o impacto dessa concorrência? 

Ordine – Os supermercados e algumas redes de farmácias fazem forte concorrência às lojas especializadas, em especial nos chamados produtos básicos, como xampus e artigos de higiene pessoal em geral. No que se refere a produtos especializados, a tendência é a de que a mulher procure orientação em lojas, por isso é importante a nossa união em busca de melhor gestão e de políticas de marketing. O consumidor está bem mais consciente e muito exigente. O Código de Defesa do Consumidor também impôs maior fiscalização. Quanto mais esclarecido, maior a participação na busca pelos seus direitos.

Ricardo Xavier RH Regionalmente, não seria interessante ter estratégias mais customizadas? 

Ordine – Sim, por isso será preciso desenvolver um trabalho regional para conhecer o perfil do consumidor local. Este é o grande desafio da nossa entidade nos próximos anos. A aproximação da cadeia produtiva – indústria, comércio e serviços – é imprescindível. Só que isso leva tempo e é algo a ser construído, a ser desenvolvido, inclusive regionalmente. As feiras, congressos e outros eventos são importantes para afinar o discurso. Aqui no Brasil, os eventos ainda são poucos e a maioria, anuais. A Beauty Fair é um dos mais importantes. Algumas empresas, em especial indústria e distribuidores, procuram manter o comércio e o serviço informados sobre os produtos. Não tenho dúvida em dizer que há muito a ser feito e que a Anabel está apenas começando. 

Ricardo Xavier RH  Qual a perspectiva de faturamento em comparação com 2009?

Ordine – O mercado brasileiro permanece aquecido e, em relação a 2009, o faturamento do setor deve crescer cerca de 15%.

Ricardo Xavier RH Quais os principais desafios para 2011?

Ordine – O mercado especializado está em ascensão. Por isso, com o crescimento da renda das classes C e D, cabe ao setor ajustar-se aos novos hábitos. O Brasil entrou numa nova era de consumo, com clientes cada vez mais exigentes e refinados. A Anabel ainda não dispõe de estudos mais aprofundados. O nosso foco é a mobilização para a união do segmento, o que não é uma tarefa fácil.

Ricardo Xavier RH  Qual o principal pleito do setor?

Ordine – O governo precisa entender que este setor não é mais supérfluo. Hoje, o nosso mercado pode ser considerado um caminho para as pessoas praticarem a chamada saúde preventiva. Um exemplo está no uso do protetor solar. A melhora da autoestima dos consumidores é outra prioridade. Não se justifica mais que o governo classifique o segmento de beleza e higiene pessoal como supérfluo. Por enquanto, só o protetor solar foi reconhecido como item de proteção preventiva contra o câncer de pele. Ele, como se sabe, diminui a incidência de raios solares prejudiciais à pele humana.

Ricardo Xavier RH  Por que o setor é tachado como supérfluo?

Ordine – A classificação de supérfluo ainda é um resquício do passado, quando nossas autoridades fiscais confundiam ou desconheciam as diferenças de perfumaria/maquiagem e produtos de higiene, beleza e cosméticos atuais, que se preocupam mais em proteger a saúde da pele, do cabelo etc. Também desconheciam que o bem estar físico e a autoestima são fatores de saúde preventiva. A mente sadia e os pensamentos positivos trazem mais qualidade de vida, mais saúde... Estamos procurando demonstrar para as autoridades fiscais que o setor não tem nada a ver com o segmento de bebidas alcoólicas, fumo ou armas de fogo, por exemplo. No que se refere a itens de saúde preventiva, temos os protetores solares, os cremes de pele com nutrientes que ajudam a preservar a beleza e a juventude da mulher brasileira. Não dispomos de dados específicos sobre o crescimento de vendas destes produtos, por se tratar de uma área nova sob o enquadramento de saúde preventiva, mas esperamos que, para os próximos anos, a Nielsen consiga agregar estas informações em seus levantamentos.

Ricardo Xavier RH  O crédito para pessoa jurídica diminuiu? As empresas encontram recursos para investimentos no mercado?

Ordine – O crédito, no Brasil, ainda é caro e os bancos não facilitam a vida do pequeno empresário. Mas já existem algumas linhas para financiamento por meio do BNDES. Além de caro, o acesso ainda é complicado; para o comércio, são poucas as linhas oferecidas. Algumas linhas de crédito para capital de giro, com recursos do governo, como o cartão BNDES Federal, e a agência da Nossa Caixa Desenvolvimento, do governo de São Paulo, tornaram-se alternativas. Com elas, o comércio pode conseguir capital de giro mais barato com prazo de pagamento maior.

Ricardo Xavier RH  Qual a expectativa do setor para 2011?

Ordine – O setor de beleza e de higiene pessoal continuará a crescer mais do que outros, uma vez que o segmento ‘beleza’ tende a ter volume quando a economia, como um todo, vai bem. A nossa expectativa é a de que os governantes não dificultem a vida do setor produtivo, com aumento de impostos e burocracia excessiva.

Ricardo Xavier RH  Os economistas são categóricos e afirmam que a economia brasileira passa por um ótimo momento. Qual a sua análise?

Ordine – Os índices brasileiros estão cada vez melhores. No entanto, precisamos aproveitar a oportunidade para buscar maior profissionalização. O Brasil é o país emergente com mais oportunidades. Tanto o empresário quanto o trabalhador precisam ser mais bem qualificados para aproveitar o bom momento da economia nacional. O mundo está de olho no Brasil e precisamos melhorar os nossos padrões profissionais. O brasileiro – seja o empresário, seja o trabalhador – vai sofrer concorrência do exterior. Não há mais espaço para improvisação e, se quisermos manter nosso mercado de trabalho, precisamos estar mais habilitados. Isso não vale só para o nosso setor. Serve para todas as áreas. Se não nos profissionalizarmos adequadamente, ficaremos sujeitos à concorrência internacional, que, além do capital, também trará profissionais mais habilitados.

Ricardo Xavier RH  O senhor compartilha com aqueles que reclamam da qualidade da educação brasileira e do impacto que ela provoca no mercado de trabalho?

Ordine – Os nossos candidatos enfatizaram na recente campanha eleitoral à Presidência da República que precisamos melhorar a formação técnica dos nossos jovens. No setor comercial, não bastará apenas contar com um bom vendedor; será preciso que ele conheça bem os produtos que venderá. Em todos os setores empresariais, precisamos de jovens que tenham habilidade técnica. No nosso setor, embora de forma embrionária, começam a surgir programas de qualificação e orientação profissional para jovens que chegam ao mercado de trabalho, seja como vendedores de produtos, treinando-os para informar os clientes, seja no curso de profissionais que prepara cabeleireiros, maquiadores e massagistas. A Anabel tem procurado apoiar projetos sociais, como o Tesourinha, que forma cabeleireiros.

Ricardo Xavier RH  Este é um mercado que tem muitos autônomos. Como capacitá-los?

Ordine – Sobre os trabalhadores autônomos, procuramos orientá-los de modo que eles se profissionalizem como “microempreendedores individuais”. O custo fiscal e previdenciário mínimo, para isso, é de R$ 60 mensais. Não somos favoráveis a uma segunda atividade, a não ser para a dona de casa que não trabalha fora, ou para o estudante, neste caso em forma de estágio. Acho que chegou o momento da profissionalização. Ela pede ou impõe uma especialização para que se exerça bem a atividade. Infelizmente, a educação em nosso país está longe do ensino profissionalizante, mas, segundo promessas de campanha, este assunto será uma das prioridades. Aqui, em São Paulo, existem as ETECs e as FATECs. Mas elas são apenas o início de um processo. Todos os setores sentem a falta de mão de obra especializada. O nosso precisará treinar e capacitar jovens que chegam ao mercado de trabalho.

Ricardo Xavier RH  Há alguma ação em relação à qualificação da mão de obra? É possível, por exemplo, empregar pessoas que tenham necessidades especiais?

Ordine – A preocupação reside na educação profissionalizante. É necessária uma ação do governo e também de nossas entidades para a qualificação profissional. É preciso que o vendedor conheça os produtos e a aplicação deles. Isso o ajudará a vender mais. Sobre os deficientes físicos, sempre haverá atividades que não exijam esforço além de suas capacidades ou limitações. Uma das atividades que eles podem exercer é a de massagista. Muitos deficientes visuais deram-se realmente bem na profissão. Algumas empresas se preocupam com a formação profissional, mas é necessário um esforço conjunto entre governo, indústria e comércio para que a profissionalização seja possível. O mundo está de olho no Brasil e, se não melhorarmos nossos padrões profissionais, perderemos oportunidades.



   

Seu nome:

Seu e-mail:

Nome destinatário:

E-mail destinatário:

Mensagem:




Todos os direitos reservados à Ricardo Xavier Recursos Humanos®
A reprodução, parcial ou total, do conteúdo deste site é permitida, bastando mencionar a fonte.