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José Paulo Rocha é sócio da área de Financial Advisory Services da Deloitte. Formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-graduado em Finanças pelo Ibmec, o executivo ocupa também o cargo de sócio-líder da área de Forensic & Dispute Services no FAS Brasil. Ele acumula 15 anos de experiência em consultoria de corporate finance, incluindo três anos nos Estados Unidos. Antes de ingressar no setor, Jose Paulo trabalhou por cinco anos em empresa de Venture Capital no Brasil.

17/09/2010


TENDÊNCIAS


Para crescer, PMEs precisam focar cliente e capacitar funcionários



110 empresários brasileiros que participaram de pesquisa da Deloitte garantem: o investimento em recursos humanos aumenta a rentabilidade. “Demanda por pessoas qualificadas está virando um gargalo”, alerta pesquisador.

Por Wagner Belmonte e Neide Martingo

Focar no atendimento, investir em treinamento e na qualificação de funcionários e reduzir custos. Esta é a tríade que leva pequenas e médias empresas a atingir resultados mais satisfatórios, ou seja, ganhar mercado, crescer e ter fôlego para novos investimentos.

A pesquisa feita pela Deloitte, em parceria com a Oracle e a Exame PME (pequenas e médias empresas) – “As PMEs que mais crescem no Brasil” – comprova a tendência. A quinta edição do levantamento, que é anual, foi divulgada recentemente.  Das 200 empresas que mais se destacaram, 38% estão em São Paulo, 11% em Minas Gerais e 6% no Rio de Janeiro. A maioria delas é de origem brasileira e tem mais de 30 anos de estrada. Essas 200 organizações registraram R$ 9,7 bilhões em receitas no ano passado, com crescimento, em média, de 35% ao ano de 2007 a 2009.

O destaque está no setor de serviços: a indústria digital responde por 15%; o varejo abarca 5% e o atacado, 4%. Resultados expressivos também foram alcançados pelas áreas de construção, com 11%; pela indústria de bens de capital, 8%; bens de consumo, 7%; e a farmacêutica, 3%. “Entre os fatores mais importantes que estimularam o crescimento nos últimos três anos, 76% dos empresários apontam a fidelização de clientes; 55% destacam o investimento em recursos humanos; 61% valorizam o controle e a redução de custos e 46% creem na eficácia de ações de marketing e comunicação”, afirma o sócio-líder da área de Corporate Finance da Deloitte, e responsável técnico pela pesquisa, José Paulo Rocha.

Em relação aos principais desafios que as PMEs devem enfrentar no médio e longo prazos, estão custos competitivos para 85% dos entrevistados. Manter-se tecnologicamente atualizado é prioridade para 78% deles. Atrair e reter profissionais com alta qualificação é um objetivo de 77%. “As pequenas e médias empresas não possuem os recursos das grandes companhias e, para elas, é uma grande dificuldade investir em desenvolvimento. Mas elas reconhecem esta prioridade como uma exigência do mercado atual”, detalha Rocha.

PERFIL – José Paulo Rocha é sócio da área de Financial Advisory Services da Deloitte. Formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-graduado em Finanças pelo Ibmec, o executivo ocupa também o cargo de sócio-líder da área de Forensic & Dispute Services no FAS Brasil. Ele acumula 15 anos de experiência em consultoria de corporate finance, incluindo três anos nos Estados Unidos. Antes de ingressar no setor, Jose Paulo trabalhou por cinco anos em empresa de Venture Capital no Brasil.

Ricardo Xavier Recursos Humanos – Qual o principal desafio para pequenas e médias empresas, levando em conta a quinta edição da pesquisa da Deloitte? O que mudou do primeiro ao quinto ano?

José Paulo Rocha – Existem desafios que são comuns em várias edições da pesquisa: acesso a recursos e manter o foco no cliente, por exemplo. Mas o destaque neste levantamento mais recente é mesmo a questão de recursos humanos. A demanda por pessoas qualificadas está virando um gargalo. Para crescer, a empresa sabe que terá de continuar investindo significativamente na formação e retenção de pessoas. Caso contrário, a capacidade de crescimento das companhias estará limitada.

Ricardo Xavier RH – O que as empresas podem fazer para encontrar profissionais qualificados com mais facilidade? E as pessoas, como conseguir as vagas?

Rocha – As empresas, individualmente, têm de trabalhar no desenvolvimento das pessoas. Se as companhias resolvem seus problemas tirando trabalhadores das concorrentes, vai faltar gente. Do ponto de vista de economia agregada, o que é importante é que elas formem profissionais. Isso significa atrair pessoas qualificadas, investir em treinamento, desenvolver talentos. Uma companhia deve ser também competitiva do ponto de vista da atratividade, ou seja, fazer com que o trabalhador fique num local onde ele se sinta bem. Ela tem de entender quais são as demandas deste pessoal e se esforçar para oferecer os benefícios e vantagens para que eles fiquem. Caso contrário, o funcionário procura outra alternativa.

Ricardo Xavier RH – As empresas já acordaram para essa necessidade?

Rocha Elas já identificaram o problema. O que a gente apurou é que empresários recorrem a alternativas mais simplistas, imediatistas, de buscar gente no mercado com certa agressividade. Acho que as companhias têm que se conscientizar que elas devem formar pessoas. O caminho é fazer parcerias com faculdades, se aproximar de estudantes, tentar atrair gente e formar pessoas. Não se pode simplesmente “roubar” capital humano de outras empresas. Esta não é uma solução perene, contínua.

Ricardo Xavier RH – O que marca as pequenas e médias empresas que tiveram uma gestão eficiente e cresceram neste período?

Rocha As empresas perceberam, em primeiro lugar, a necessidade de ter foco no cliente, a importância de estar bem entrosada com o próprio mercado, com o consumidor e com as demandas dele. Isso é mesmo fundamental. As pequenas e médias, cada vez mais, trabalham num ambiente conjunto de negócios. Elas não podem produzir apenas o que acham fundamental, mas dependem da interação para identificar e atender necessidades dos clientes. Esse relacionamento é uma questão fundamental.

Ricardo Xavier RH O que mais chamou a atenção na pesquisa?

Rocha O resultado global da pesquisa é surpreendente: a economia vem de um período de crise, de insegurança. Os dados são de 2009, quando o PIB foi quase negativo, próximo a zero. Chama a atenção que empresas tenham apresentado este crescimento num ambiente assim. A leitura dos índices mostra que, mesmo com as dificuldades, elas souberam planejar suas estratégias e conduziram bem o processo. Isso resultou em aumento da rentabilidade.

Ricardo Xavier RH – Quais são os fatores que têm maior peso na pesquisa?

Rocha Primeiro, identificamos as pequenas e médias empresas que cresceram. Parece simples, mas não é. Muitas não divulgam seus resultados. As micro e pequenas ficam escondidas e é complicado chegar à realidade delas. As informações a que temos acesso são apenas das grandes companhias. A pesquisa procura justamente identificar quais são as pequenas e médias que crescem. A elas, fazemos uma pergunta adicional sobre os motivos e as ações que respaldaram o crescimento dos negócios. As respostas servem como ensinamentos para os outros empresários. É importante dizer que as pequenas e médias empresas permanecem responsáveis por boa parte do PIB brasileiro. Elas são fonte de inovação de grande quantidade de mão de obra. Aprender o que elas fazem é fundamental.

Ricardo Xavier RH – O setor da construção civil ficou em primeiro lugar. Foi uma surpresa?

Rocha A expectativa já era de que a construção civil teria lugar de destaque. O Brasil virou um canteiro de obras. Nós acompanhamos os investimentos em construção, no PAC, no plano Minha Casa, Minha Vida. Já era esperado este desempenho.




   

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