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O presidente da AES Eletropaulo, Britaldo Soares, é formado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem pós-graduação em Engenharia Econômica pela Fundação Dom Cabral. Ele também cursou extensão em gestão e liderança na Darden School of Business, na Universidade da Virgínia (EUA).  Soares iniciou a carreira no Citibank/Citigroup em 1980, onde, de 1988 a 1992, foi vice-presidente de Corporate Bank e International Corporate Finance. Acumula experiência ainda como diretor financeiro da área de celulose das empresas Caemi/Jari, e como presidente da Jari Celulose. O executivo foi vice-presidente de Finanças da Enron América do Sul e Prisma Energy, holding da distribuidora de energia Elektro, de fevereiro de 1999 a agosto de 2005.  Em setembro de 2005, Soares assumiu a vice-presidência de Finanças e Relações com Investidores das empresas do Grupo AES no Brasil (Eletropaulo, AES Tietê, AES Uruguaiana, AES Sul). Desde julho de 2007, ele preside as empresas do Grupo AES no Brasil.

02/09/2010


INFRAESTRUTURA


AES Eletropaulo vai investir em telecomunicações



Serão R$ 400 milhões nos próximos seis anos. De olho na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016, a empresa aposta na ampliação da rede de telecomunicações em todo o País

Por Wagner Belmonte e Neide Martingo

A turbulência provocada pela crise financeira internacional no Brasil pode ser medida pela queda no consumo de energia – cenário já revertido. As empresas consumiram 15% menos no primeiro trimestre de 2009 em relação a igual período de 2008. No entanto, o índice se recuperou. De abril a junho deste ano, a AES Eletropaulo registrou lucro de R$ 465,8 milhões, o que representa um crescimento de 201% em relação a igual período de 2009, quando o montante foi de R$ 154,9 milhões. 

Este aumento está associado ao consumo total no período (10.904 GWh), impulsionado pelo crescimento da demanda de energia em todos os segmentos em que a empresa atua. No mercado cativo, no qual está a maior parte dos consumidores, a alta foi de 4,7%. Os resultados refletem também os efeitos do reajuste das tarifas. A alta do serviço, cuja tarifa vigorou de julho de 2009 a julho deste ano, foi de 14,88%. No mais recente ajuste, que vale até julho de 2011, o custo da energia cresceu 8%.

Confiante, o presidente da companhia, Britaldo Soares, diz que o risco de um apagão está descartado, pelo menos no médio prazo. Soares também confirma que a AES se prepara para investir em telecomunicações. O investimento da AES Telecom, braço da norte-americana ARS Corporation, que controla a AES Eletropaulo, será de R$ 400 milhões até 2016. A realização da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil respalda o aporte.

A AES Eletropaulo é a maior distribuidora de energia elétrica em consumo e faturamento da América Latina. A empresa atende 16,3 milhões de pessoas, em 24 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo a capital paulista. A companhia tem 10 mil colaboradores, próprios e contratados.

PERFIL –  O presidente da AES Eletropaulo, Britaldo Soares, é formado em Engenheira Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e tem pós-graduação em Engenharia Econômica pela Fundação Dom Cabral. Ele também cursou extensão em gestão e liderança na Darden School of Business, na Universidade da Virgínia (EUA).  Soares iniciou a carreira no Citibank/Citigroup em 1980, onde, de 1988 a 1992, foi vice-presidente de Corporate Bank e International Corporate Finance. Acumula experiência ainda como diretor financeiro da área de celulose das empresas Caemi/Jari, e como presidente da Jari Celulose. O executivo foi vice-presidente de Finanças da Enron América do Sul e Prisma Energy, holding da distribuidora de energia Elektro, de fevereiro de 1999 a agosto de 2005.  Em setembro de 2005, Soares assumiu a vice-presidência de Finanças e Relações com Investidores das empresas do Grupo AES no Brasil (Eletropaulo, AES Tietê, AES Uruguaiana, AES Sul). Desde julho de 2007, ele preside as empresas do Grupo AES no Brasil.

Ricardo Xavier Recursos Humanos – O consumo de energia, tanto em residências como em empresas, é um termômetro da economia. Se ele cresce, o País passa por um bom momento. Qual a avaliação sob este prisma?

Britaldo Soares – Este ano, os números mostram um crescimento mais acentuado no setor industrial. No primeiro trimestre de 2009, registramos queda de 15% no consumo industrial em relação a igual período de 2008. Agora, nos primeiros três meses de 2010, foi registrada alta de até 14%, dependendo do setor. O setor industrial, até pela própria recuperação da atividade econômica, é uma área que puxa o consumo de energia. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), porém, é o que vai determinar o resultado do setor no fechamento do ano, com a atividade industrial. Houve uma retração dessa atividade, e há, agora, uma recuperação, mas diante do parâmetro de uma base retraída. Podemos ter, este ano, alta de 12% a 15% no setor industrial.

Ricardo Xavier RH – Muitos segmentos temem um apagão, principalmente se crescer a atividade industrial. Este é um risco real?

Soares – Não enxergo esse risco no médio prazo. Temos projetos em execução, em desenvolvimento, como o do Rio Madeira, o das termelétricas que foram leiloadas, além de empreendimentos eólicos. Ou seja, há uma série de projetos. Com a retração de 2009, houve um “ganho” na geração de energia. A questão agora é a execução dos projetos.

Ricardo Xavier RH – Quais serão os próximos investimentos da companhia?

Soares – Este ano, o investimento da Eletropaulo terá sido da ordem de R$ 700 milhões, volume que deve se repetir em 2011. Os planos são dobrar a capacidade de geração de energia no Brasil e nas distribuidoras e ter uma consistente melhoria da qualidade do serviço. Por isso, o montante de investimentos foi elevado. No ano passado, investimos R$ 750 milhões.  Falando ainda sobre a expansão da capacidade de geração: a empresa está com termelétrica em São Paulo, em processo de licenciamento. São 550 megawatts – ainda não posso confirmar o local, porque está em negociação. Do ponto de vista financeiro, a Eletropaulo opera com mais de R$ 1,5 bilhão em caixa.

Ricardo Xavier RH –  Há planos de investimento em telecomunicações?

Soares – Sim, além de distribuição e geração de energia, está nos nossos planos o setor de telecomunicações, em razão da expectativa de demanda de banda larga no Brasil, que é explosiva – considerados, inclusive, os grandes eventos esportivos que acontecerão, como a Copa e a Olimpíada. O total investido na área é de R$ 80 milhões; não é varejo, e sim banda larga num modelo diferente do oferecido pelas grandes telefônicas. Isso explica a magnitude do investimento. Estamos olhando para aquilo que precisa ser feito para aproveitar a oportunidade que a gente vê pela frente com o crescimento da banda larga. Era preciso definir o investimento para os próximos anos.

Ricardo Xavier RH – A banda larga por rede elétrica está nos planos da empresa?

Soares – A banda larga via rede elétrica já é um produto em São Paulo - 300 prédios receberam cabos para tê-la. O produto foi comercializado, numa parceria com a Intelig. A questão agora é a competitividade. É preciso caminhar em termos de desenvolvimento. Este pode ser um dos principais produtos da nossa atuação na área de telecomunicações.

Ricardo Xavier RH – Vários setores reclamam da dificuldade de encontrar mão de obra qualificada. Isso acontece com a AES?

Soares – É um desafio em todos os níveis. O mercado de trabalho mostra-se bastante competitivo. Nós mantínhamos cerca de 30 a 40 eletricistas sempre num banco de treinamento. Este ano abrimos esse número para 600, para alimentar necessidades nossas e também dos prestadores de serviço. Na Eletropaulo, existem hoje pouco mais de dois mil eletricistas. Desenvolvemos um programa de treinamento bastante abrangente, e ampliamos a capacidade dele. Especificamente, na Eletropaulo, houve outra iniciativa: em áreas mais carentes, nas quais temos um projeto de responsabilidade social chamado Casa de Cultura e Cidadania, formamos uma primeira turma de mulheres eletricistas, em julho passado. Foram 22, e vamos ampliar a iniciativa. O foco de atuação delas é o corte de ligação, a leitura e a entrega de contas.



   

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