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Hélio Rangel Terra é formado em Ciências Contábeis, com pós-graduação em Harvard (Suíça). Há 20 anos na área de Recursos Humanos, ele assumiu a Presidência da Manager Assessoria em dezembro de 2006. Até então, ocupava o cargo de Superintendente. Além de administrar a Ricardo Xavier, Hélio é articulista dos principais jornais do País, como O Estado de S. Paulo, conferencista convidado de universidades, entidades de classe e empresas.

22/08/2008


ESPECIAL


Por que a Manager agora é Ricardo Xavier Recursos Humanos



Com a meta de crescer 15% neste ano, a empresa se moderniza, passa pela maior transformação de sua história e concentra o foco em oferecer ao mercado “soluções completas” para a gestão de pessoas. Hélio Terra, à frente desse processo, dimensiona “novas oportunidades” e diz que a companhia está preparada para desenvolver ações pontuais, “customizadas", ou seja, sob medida para as organizações

 Por Wagner Belmonte

         No evento mais importante da área de Recursos Humanos no Brasil – o Conarh, que chegou à 34ª edição, a Manager, uma das mais tradicionais e conceituadas empresas do setor, com 33 anos de atuação, anunciou uma grande transformação: o nome da companhia mudou e este é um passo sólido e fundamental para um posicionamento de mercado plenamente adaptado aos novos tempos. Para homenagear o seu fundador, Ricardo Xavier, e marcar essa etapa de transição na história da organização, a empresa incorpora o nome de uma das mais expressivas lideranças empresariais do segmento de Recursos Humanos. Segundo o presidente da agora Ricardo Xavier Recursos Humanos, Hélio Rangel Terra, “é comum empresas prestadoras de serviços terem os nomes de pessoas e de fundadores”.

O empresário homenageado é um dos idealizadores da Manager. “Na realidade, ele foi o grande mentor desta empresa, o principal executivo dela por muitos anos e, como principal executivo, foi ele quem direcionou praticamente toda a atuação da companhia. Na hora de decidirmos por uma nova marca, o nome dele foi uma unanimidade”, diz Terra.

         A mudança no nome coincide com essa “nova era”. Segundo Terra, “ocorrerá um processo de continuidade, mas com objetivos ousados e corajosos”. A Manager, com a nova marca, “parte para desenvolver fortemente os produtos que oferece”, diz.  Além do foco mais voltado à melhoria técnica interna e ao aperfeiçoamento de processos, a companhia muda também e, segundo o seu presidente, “de uma maneira bastante radical”, a forma de se relacionar com o público. Helio Terra considera que a empresa passa agora a funcionar com a estratégia de oferecer “soluções completas em recursos humanos”.

        Valores – A empresa, com sede em São Paulo, possui hoje sete filiais – Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). Em todas, há um aspecto comum, “herdado” do idealizador. “A ética sempre foi uma das bandeiras do Ricardo e um valor da organização”.

        Perfil - Hélio Rangel Terra é formado em Ciências Contábeis, com pós-graduação em Harvard (Suíça). Há 20 anos na área de Recursos Humanos, ele assumiu a Presidência da Manager Assessoria em dezembro de 2006. Até então, ocupava o cargo de Superintendente. Além de administrar a Ricardo Xavier, Hélio é articulista dos principais jornais do País, como O Estado de S. Paulo, conferencista convidado de universidades, entidades de classe e empresas.

Ricardo Xavier RH – O que motivou essa mudança de nome? Por que a Manager passa a se chamar Ricardo Xavier Recursos Humanos?

Hélio Rangel Terra Há duas maneiras de se encarar isso: primeiro, por que mudar de nome? A Manager criou a Manager Online, que foi vendida em 2006. Poderíamos continuar a usar a marca Manager pela vida toda. O contrato previa a utilização indefinida dessa marca. Porém, a Manager Online tem um produto de consumo bastante popular e a Manager Assessoria em Recursos Humanos tende, cada vez mais, a estar num mercado mais sofisticado, o mercado de consultoria, de uma empresa capaz de oferecer soluções completas para os gestores e para as áreas de Recursos Humanos. Com isso, tínhamos dois produtos diferentes com a mesma marca. O mesmo nome nos dois produtos poderia confundir o público e isso vinha ocorrendo. O fato é que a Manager Online trabalha com um target mais popular, o que poderia fazer com que as pessoas olhassem para a Manager Assessoria em Recursos Humanos também como uma empresa voltada para o público de uma maneira geral. Essa visão do mercado poderia ser mais prejudicial do que benéfica para nós. O segundo ponto: por que Ricardo Xavier? O Ricardo foi um dos fundadores da Manager. Na realidade, ele foi o grande mentor desta empresa, o principal executivo dela por muitos anos e, como principal executivo, foi ele quem direcionou praticamente toda a atuação da companhia. Na hora de decidirmos por uma nova marca, o nome dele foi uma unanimidade. É comum empresas prestadoras de serviços terem nomes de pessoas e de fundadores. Esta é outra razão da escolha do nome. Há, ainda, outro ponto muito importante: mudar de Manager para Ricardo Xavier, sendo o Ricardo Xavier quem ele foi, nos remete a toda uma história e se torna homenagem. Estamos realmente conectados aos valores que fazem parte dessa companhia desde a sua criação.

Ricardo Xavier RH – O foco da empresa permanecerá sobre um público mais qualificado?

Terra Nossos clientes são, cada vez mais, empresas. Essa percepção da Manager Assessoria em Recursos Humanos e da Manager Online como partes de uma mesma empresa poderia criar certa confusão na cabeça das pessoas.

Ricardo XavierRH – Quando surgiu a idéia?

Terra Com a venda da Manager Online, o próprio Ricardo já pensava nisso. Ficava cada vez mais claro que a mesma marca para as duas empresas não seria algo adequado.

Ricardo XavierRH – A idéia foi do próprio Ricardo?

Terra Foi, mas ele nunca iria colocar o nome dele. Depois de sua morte, no ano passado, começamos a redefinir a estratégia da empresa. O mercado não sentiu porque a companhia possui uma personalidade bastante consolidada. Há organizações que têm a personalidade do dono e a Manager conseguiu se desenvolver como empresa. Isso em razão até da atuação do próprio Ricardo, da maneira dele atuar, da maneira como ele conduzia a equipe. Ele dava liberdade e condições para todos. E isso fez com que as pessoas crescessem e, na hora da dificuldade, cada um assumia a sua responsabilidade no processo.

Ricardo Xavier RH – Como foi o processo que levou a essa decisão?

Terra Temos um conselho, formado por quatro pessoas, que se reúne toda semana. As decisões estratégicas e os parâmetros são discutidos, conversados, analisados e aprovados. Foi esse conselho que tomou, consensualmente, a decisão.

Ricardo Xavier RH – Quais os principais objetivos dessa mudança? É um processo de transformação que se acentua?

Terra É um processo de continuidade, mas com objetivos ousados e corajosos. A empresa parte para uma melhoria bastante forte de seus produtos. Melhoria técnica interna e aperfeiçoamento de processos. Mudamos de uma maneira bastante radical o nosso relacionamento com o público em geral. Passamos a contar com pessoas influentes para mandar nossos arquivos, para fazer pesquisa de alto nível. Na realidade, procuramos melhorar o nosso relacionamento com o mercado. Mudamos a abordagem. Hoje, a empresa oferece soluções completas em Recursos Humanos, um trabalho mais customizado, sob medida mesmo. Colocamos a comunicação como parte estratégica da administração. Hoje, a área de Comunicação é um alicerce da administração. Nossas reuniões semanais são para troca de experiências. Antes, elas eram reuniões de cobrança. Nossa área de Comunicação tem é muito ativa em captar e levar informações para o pessoal de campo.

Ricardo Xavier RH – O que levou a empresa a dar um peso mais estratégico para a área de Comunicação?

Terra Essa mudança de comportamento traz um outro tipo de relacionamento e, automaticamente, você vai sofisticando os seus produtos. Além disso, passa a ter um acesso melhor ao mercado com produtos realmente mais sofisticados.

Ricardo Xavier RH – Do ponto de vista prático, para quem é cliente, quais as principais inovações nesta fase?

Terra Tínhamos quatro produtos: recrutamento e seleção, recolocação, outplacement e treinamento. Hoje, partimos para soluções completas em Recursos Humanos e estamos aptos a identificar e solucionar conflitos dentro de uma empresa. Essa é uma das atribuições mais elementares dos profissionais de RH. Entramos em um nível mais alto. Atuamos, por exemplo, como consultoria para aposentadoria, preparamos a empresa e o profissional para a aposentadoria, fazemos levantamento de necessidades, de competências para as empresas e para os departamentos, avaliamos essas competências todas, promovemos uma avaliação de todo o pessoal de determinada companhia, se eles têm as competências para ocupar os cargos que ocupam e trabalhar naquela empresa. Com esse upgrade técnico, estamos totalmente à vontade para projetos realmente mais complexos. Temos sete filiais próprias e ter filiais próprias é importante. São nossos funcionários; as consultoras são treinadas por nós e estão alinhadas aos nossos valores, à nossa filosofia. Não temos representantes, agentes ou franquias.

Ricardo Xavier RFH – Há planos de expansão?

Terra Planos sempre existem. A filial de Curitiba, por exemplo, surgiu em função de um grande projeto. Belo Horizonte e São José dos Campos, também. Temos uma administração totalmente aberta e sensível às oportunidades de mercado. Uma peculiaridade: como temos filiais em São José dos Campos e em Campinas, teoricamente, quem estiver perto dessas regiões vai procurar essas filiais. Mas é muito comum recebermos telefonemas em São Paulo de profissionais e empresas de São José dos Campos e de Campinas interessados no nosso o trabalho.

Ricardo Xavier RH – O segmento de treinamento já dá indícios de recuperação? 

Terra Ele realmente caiu com o advento do treinamento via internet. Como era novidade, todo mundo foi para a internet. Depois, as empresas, muitas vezes, percebem que não é bem isso e acabam voltando. É a mesma coisa que, por exemplo, ler jornal. Você pode abrir um site e ler um jornal, mas tê-lo à mão, para algumas pessoas, ainda faz grande diferença. As pessoas mais jovens têm outros costumes, mas acho que já há sinais claros de recuperação neste sentido. Estamos para lançar idéias muito inovadoras em nossos treinamentos, mas ainda não posso antecipar quais são.

Ricardo Xavier RH – Quais os principais diferenciais de gestão e os valores que o empresário Ricardo Xavier deixou para a empresa nesse momento de upgrade?

Terra São valores difíceis de se encontrar. Honestidade, postura e ética. A ética sempre foi uma bandeira do Ricardo e um valor da organização. Para algumas coisas, se você der nota, ou é zero ou é dez. A ética, por exemplo, é uma delas. Se em alguma coisa você deixou de ser ético, você não perde meio ponto; é um preceito radical. Não existe alguém “meio honesto”.  Outro fator importante é o incentivo que ele sempre deu à criatividade. Isso foi sempre marcante na nossa empresa, para que nunca ficássemos acomodados. Vou dar um exemplo: no final da década de 80, fui visitar a Companhia Vale do Rio Doce. A Manager não tinha sequer 30 funcionários naquela época. A filial de Campinas era muito pequena e tínhamos acabado de inaugurar a filial do Rio de Janeiro. E eu fui visitar a Vale, participando de uma concorrência para outplacement de 1.800 pessoas. Nosso escritório no Rio de Janeiro também era muito pequeno, tínhamos duas salinhas, onde ficavam uma consultora e uma datilógrafa. Dois diretores da Vale foram me visitar naquele escritório. Conversei com eles por cerca de uma hora e meia e ganhamos o negócio. Este é um case em que, na realidade, o que realmente valeu foi a minha competência, a minha dedicação, o fato de eu ter acreditado até o final. Liguei imediatamente para o Ricardo e falei: ganhamos um projeto que envolve a demissão de 1.800 pessoas. Esse trabalho, na Vale, talvez, tenha sido a porta para a Manager para ter sucesso absoluto e se consolidar. Terminamos o trabalho, que foi um marco realmente fundamental. Anos depois, num restaurante, perguntei para o Ricardo sobre aquele trabalho. “Quando eu te telefonei e falei que tínhamos um projeto que envolvia 1.800 pessoas, você não dormiu?” E ele, brincando, respondeu: “Dormi sim, eu não acreditei...” Esse é um exemplo que o Ricardo nos deixou. Ele tinha envolvimento total com a empresa que ele criou, construiu e consolidou.

Ricardo Xavier RH – Com esse upgrade, a empresa terá mais foco em pessoas jurídicas?

Terra Ela já tem mais foco em pessoas jurídicas, mas, com esse upgrade, o próprio trabalho de pessoa física fica também muito interessante, um trabalho de primeira linha. Ele deixa de ser um trabalho somente de assessoria para ser um trabalho de planejamento de carreira, algo bem mais sofisticado do que é.

Ricardo Xavier RH – Por que a Manager escolheu o Conarh para anunciar essa mudança?

Terra O Conarh é, sem dúvida nenhuma, o mais importante evento de RH do País. Para muitos, é o mais importante congresso de Recursos Humanos da América Latina. É um evento por meio do qual você dá visibilidade nacional para a empresa. A marca Ricardo Xavier foi lançada há cerca de dois meses em Campinas. Num evento de RH em Campinas, achamos adequado lançá-la, numa operação prévia para toda essa mudança.

Ricardo Xavier RH – Como o mercado de Campinas a recebeu?

Terra Muito bem. Uma coisa que as pessoas estão entendendo é que a empresa continua a mesma, apenas trocou de roupa.

Ricardo Xavier RH – E os funcionários da matriz e das filiais?

Terra Anunciamos que isso ocorreria na nossa convenção em janeiro. Fizemos um trabalho bem feito de mostrar para as pessoas a necessidade dessa transição. Levamos a empresária Chieko Aoki, que nos contou como a rede de hotéis Ceasar Park se transformou na Blue Tree sob o seu comando.

Ricardo Xavier RH – Para finalizar, qual deve ser a agenda do profissional do RH? Essa conexão com o business e com a estratégia já tem produzido resultados?

Terra O profissional de Recursos Humanos tem de ser estratégico, de participar intensamente da vida da empresa. Tem uma pesquisa feita no mundo todo por uma consultoria que aponta que o número de empresas que querem ter RH estratégico e não conseguem por falta de profissionais é impressionante. Quando a empresa entra em uma proposta de um trabalho, o RH tem de estar lá para ver o que é necessário, para atender aquela proposta. Existe, hoje, uma quantidade muito grande de empresas pagando multas altíssimas para outras companhias porque prometeram mão-de-obra, prometeram soluções e não conseguem honrar simplesmente porque o “homem” de RH não estava presente ou não soube ser estratégico.Existe a intenção das empresas de que o RH seja estratégico, mas a maior parte não está conseguindo por falta de profissionais da área. Tanto é que você vê uma quantidade enorme de líderes de RH egressos de outras áreas.

Ricardo Xavier RH – Qual a expectativa em relação à economia brasileira? O PIB deve crescer 5% nesse ano. O que isso significará para a Ricardo Xavier?

Terra De maneira geral, acho que para um País como o Brasil, num contexto mundial como o de hoje, não é difícil crescer 5%. Não precisa ser herói para crescer 5%. A lógica é simples: mais chineses estão comendo e, se mais chineses comem, há mais demanda global por alimentos. Claro que o crescimento de 5% depende de vários fatores, mas eu acho que ele é perfeitamente viável. No entanto, independentemente do crescimento de 5%, a questão de mão-de-obra está ficando cada vez pior.

Ricardo Xavier RH – Por quê?

Terra De maneira geral, há uma demanda de bons profissionais no mundo inteiro. Na realidade, as barreiras internacionais foram quebradas. Existe uma disputa muito maior mundialmente. Aqui, o que ocorre é que ainda há uma defasagem muito grande na formação de pessoas. Tivemos, durante o governo militar, obras faraônicas de infra-estrutura e, de uma hora para a outra, tudo parou. Onde foram parar esses engenheiros, onde foi parar essa mão-de-obra especializada? Na década de 70, o Brasil era o segundo maior produtor de navios do mundo. Depois, a produção naval nacional caiu para zero. Onde estão todos esses profissionais? Existem escolas que tinham o curso de Engenharia Naval e que simplesmente encerraram as atividades.

Ricardo Xavier RH – A USP era uma referência...

Terra Era, mas nos últimos anos o curso de Engenharia Naval formava anualmente apenas uma turma de 30 pessoas. Esses gargalos decorrem de ações governamentais ou da falta delas. Com a melhoria da economia brasileira, com o investment grade, o Brasil está se tornando um País de investimentos de longo prazo. Na semana passada, eu atendi duas empresas, uma francesa que está vindo para cá para trabalhar na área de Robótica, e uma empresa inglesa de soluções de Informática para Petróleo e Mineração. As duas estão vindo para o Brasil para montar escritório, o que significa emprego, oportunidade, desenvolvimento. Por outro lado, estou com uma lista de 240 profissionais só para a Noruega. Se eu arrumar, mando três aviões hoje mesmo para eles. Na área de Petróleo. Está cada vez mais complexo admitir pessoas, reter talentos, descobrir onde as pessoas estão. E essa é a nossa vocação e a nossa missão.

 



   

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