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Presidente da montadora quer sua gestão associada a estes três 3P’s. A companhia cresceu 33%, superou a média de variação do mercado automotivo em 2007, que foi de 28%, e recuperou a vice-liderança. Entre as novidades para o próximo ano, contratações, uma nova família de veículos e a cada vez mais possível expansão de uma fábrica.

18/12/2007


Produto, processos e pessoas,a tríade da Volkswagen



Por Wagner Belmonte*


A indústria automotiva levou 10 anos para voltar ao nível de 1997. Quando o ano terminar, a produção terá sido 16% maior que 2006 e as vendas terão crescido 28%. A oferta de crédito abundante, que muitos vêem como um risco comparável ao do mercado norte-americano de imóveis, é um dos fatores que explica o desempenho.

O presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, enaltece os reflexos que o melhor ano da história da indústria automobilística no Brasil teve: 1.550 trabalhadores foram contratados e há mais 490 vagas para a fábrica da Via Anchieta (SP). Confiante, Schmall considera que a companhia, que completou 50 anos no Brasil – local escolhido para receber a primeira fábrica fora da Alemanha –, superou “não apenas os próprios números, não apenas recordes”, mas também desafios, como o de continuar “como a maior montadora do País”. Para Schmall, a VW está “preparada para o futuro” e tem “o melhor time de profissionais da indústria brasileira.”

No cargo desde o início do ano, ele afirmou que a empresa aumentou turnos para atender à demanda. “Nem o mais otimista de nós conseguiria prever um ano tão positivo”, salientou. “Enquanto o mercado crescia 28%, nós crescemos 33%. Com isso, a nossa participação foi de 22,4% para 23,3%, o que nos devolve o segundo lugar”, orgulha-se. “Como se não bastasse, chegamos à marca de 17 milhões de veículos fabricados no Brasil, sendo que 5 milhões são Gol”.

Em 2007, a Volkswagen exportou 200 mil veículos e, para o próximo ano, os números devem manter-se neste patamar. “A grande aposta da Volkswagen está no mercado interno”, ressalta. Por isso, a companhia espera um novo crescimento, de 15%, em 2008. “Vamos trabalhar mais, em especial para lançar uma nova família de veículos que, acredito, também será um sucesso de vendas”, antecipa.


Pessoas – Schmall credita às pessoas a responsabilidade pelos produtos e processos andarem bem. “Reduzimos os prazos de entrega em 50%, de 47 para 20 dias. Executamos importantes mudanças na fábrica de Taubaté (SP), sem deixar de abastecer o mercado interno. 2007 foi um ano dedicado principalmente a motivar o nosso time em todos os níveis”, esclarece. O presidente da montadora explica que alguns dos programas de treinamento que envolvem práticas de gestão das mais consagradas no mundo e que são benchmarking no Grupo VW foram aplicados e aprimorados. “Implantamos o programa Cliente 360 graus, pelo qual colocamos executivos para trabalhar nas concessionárias e no call center, no atendimento a nossos clientes, o que dá uma visão muito sólida daquilo que o consumidor quer”, enaltece.

Thomas Schmall nasceu em Frankfurt e é formado em Economia e Psicologia Organizacional pela Universidade Justus-Liebieg, de Giessen. Ele trabalha no Grupo Volkswagen desde 1991. De 1996 a 1999, Schmall gerenciou a manufatura da fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde, posteriormente, assumiu a direção. Em 2003, presidiu o Conselho de Administração da fábrica da Volkswagen em Bratislava, na Eslováquia. Desde o início de 2007, ele preside a companhia no Brasil.


Manager – Qual o efeito do dólar a menos de R$ 2,00 nas exportações? Num momento em que o cenário parece tão positivo, o dólar continua sendo um obstáculo?


Schmall – Obstáculo ainda não, porque o mercado nacional está crescendo muito. O problema é como coordenar isso. No Brasil, o cenário macroeconômico ainda está muito forte. Nós não temos nenhuma reação do mercado brasileiro relacionada aos problemas dos Estados Unidos. Caso os Estados Unidos não consigam resolver nos próximos 10 ou 12 meses, haverá um impacto por aqui também, e isso trará um prejuízo para o nosso país. O relacionamento do real com o dólar vai continuar como é, e ele traz um prejuízo claro para a exportação. Mas não vamos desistir. Vamos manter a política de exportação.


Manager – Em relação ao mercado interno, no Brasil, ainda existe uma larga faixa que não tem acesso ao automóvel. Essa oferta abundante de crédito não é um risco?


Schmall – Essa grande faixa é exatamente o motivo do sucesso deste ano. Se você comparar os prazos de financiamento de 2000 até hoje, vai perceber que eles dobraram. Nós temos uma média de financiamento de 40 meses, e um prazo máximo 80 meses. Nossa perspectiva para o ano que vem ainda não atingiu o limite, mas o crescimento real vai ficar em torno de 5% a 8%, e não de 15% a 20%. Esse crescimento de 15% a 20% é feito pelos financiamentos.


Manager – Mas a oferta abundante de crédito não implica risco real no futuro?


Schmall – Há um risco, sim.  Se os Estados Unidos conseguirem resolver (o problema hipotecário), não haverá impacto, porque nossas reservas são grandes e todos os indicadores econômicos são fortes. O risco só vai aumentar se houver um crescimento da inadimplência.


Manager – O Banco Central manteve a taxa de juros em 11,25% ao ano. Essa cautela do BC e a expectativa de um cenário menos favorável para a economia norte-americana pode desaquecer o mercado nacional no próximo ano?


Schmall – A queda de juros vai continuar, talvez não tão rápido como nos últimos meses, mas com certeza a tendência aqui no Brasil é dos juros baixarem mais. Mas realmente não acho que haverá prejuízo para o mercado.


Manager – A expectativa é a de que a Volkswagen atinja o seu limite de capacidade de produção no Brasil, estimado em 800 mil carros. A empresa já pensa numa nova planta?


Schmall – Como todo mundo, nós também procuramos capacidade e temos duas opções: nós vamos aumentar a capacidade internamente e vamos aumentar com parceiros a capacidade externa.

Manager – O parceiro externo seria produzir fora do Brasil? Seria importar?


Schmall – Não, nós vamos aumentar a capacidade nacional, porque não faz sentido. Vamos aumentar a capacidade em outros países da América Latina para participar do crescimento lá também. E isso só será feito no primeiro trimestre do ano que vem Além do Brasil, a Volkswagen possui plantas na Argentina e no México, na América Latina.


Manager – Como vai ficar a importação em 2008?


Schmall – A importação vai aumentar. Estou confiante.


Manager –Com qual dólar vocês estão trabalhando para o ano que vem?


Schmall –O dólar – e vou mostrar que aprendi a ter jogo de cintura no Brasil – vai estar (cotado) entre R$1,50 e R$ 2,30 (risos).




   

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