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Carlos Tilkian é presidente da Estrela desde 1996. Ele começou a trabalhar na companhia três anos antes, como vice-presidente. O executivo iniciou a carreira como trainee da Gessy Lever, hoje Unilever. Permaneceu lá por 17 anos, nas áreas de Alimentos e Higiene e Beleza. O último cargo dele na empresa foi de diretor comercial. Atualmente, Tilkian também é vice-presidente do conselho de administração da Fundação Abrinq, membro do conselho de administração da Associação Brasileira das Indústrias de Brinquedos (Abrinq) e do conselho de administração do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (IEDI). Tilkian ainda faz parte do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE)

29/06/2011


INDÚSTRIA


Importação de brinquedos afeta contratações



Para reverter o quadro,  Estrela vai aumentar a produção local e reduzir o volume vindo do exterior; uma nova fábrica que consumiu investimentos de mais R$ 8 milhões já foi inaugurada no interior de Sergipe 

 Wagner Belmonte e Neide Martingo 

Os fabricantes brasileiros de brinquedos somam 440 empresas. Juntas, elas detêm menos da metade do mercado nacional. Fundada em 1937, a Estrela  que, no ano passado, teve 40% de suas vendas de produtos importados está diante do desafio de diminuir o total de importações e apostar na fabricação no País. 

A companhia acaba de investir R$ 8 milhões em sua primeira fábrica no Nordeste, na cidade de Ribeirópolis (SE). O objetivo, com a nova unidade, é acirrar a competitividade com os chineses. Para isso, foi desenvolvida uma linha de produtos com preços menores. 

A principal indústria brasileira de brinquedos continua a produzir em Itapira, município a 160 km de São Paulo, e em Três Pontas, no sul de Minas. São 800 funcionários. Com a nova fábrica em Sergipe, foram gerados mais 150 empregos diretos. 

A empresa participou da 28ª Feira Brasileira de Brinquedos (Abrin), em abril deste ano, quando lançou 189 produtos. Ao contrário de alguns expositores, que confirmaram reajustes nos preços de até 15% - por conta da alta da alíquota do imposto de importação -, a Estrela manteve os valores. “Se for preciso, vamos até enxugar a margem de lucro”, garante o presidente Carlos Tilkian. Segundo ele, o aumento da alíquota foi “uma ação positiva do governo, mas com pouco efeito prático” em razão dos ganhos que o câmbio proporciona aos importadores. “As empresas que aumentaram os preços dos brinquedos querem aproveitar a situação para ter alta nos lucros”, diz Tilkian. No ano passado, a  Estrela faturou R$ 139 milhões, volume 15% maior do que no ano anterior. Para 2011, a Estrela projeta um crescimento de 20% e estima que o índice no setor deverá ser de 15%. 

O balanço da Abrin ficou acima das expectativas. As vendas totalizaram R$ 1,7 bilhão, quase metade do faturamento da indústria previsto para todo o ano. Aproximadamente 1,2 mil lançamentos apresentados na feira chegarão aos pontos de venda nos próximos meses. Até o ano passado, os negócios gerados na feira representavam no máximo 30% do faturamento anual do segmento. 

PERFIL - Carlos Tilkian é presidente da Estrela desde 1996. Ele começou a trabalhar na companhia três anos antes, como vice-presidente. O executivo iniciou a carreira como trainee da Gessy Lever, hoje Unilever. Permaneceu lá por 17 anos, nas áreas de Alimentos e Higiene e Beleza. O último cargo dele na empresa foi de diretor comercial. Atualmente, Tilkian também é vice-presidente do conselho de administração da Fundação Abrinq, membro do conselho de administração da Associação Brasileira das Indústrias de Brinquedos (Abrinq) e do conselho de administração do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (IEDI). Tilkian ainda faz parte do conselho de administração da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE). 

Ricardo Xavier Recursos Humanos –  Diante da concorrência chinesa, a indústria de brinquedos vai gerar empregos neste ano?

Carlos Tilkian - A expectativa do setor é de um aumento de 5% a 10%, inferior ao que estamos planejando para o crescimento do mercado. Muito deste crescimento deve ocorrer ainda por conta dos produtos importados. O câmbio é um fator que tem dado competitividade adicional aos itens que vêm de fora. A geração de empregos, por isso, não vai acompanhar de forma direta a expectativa de crescimento. Se em 2011 conseguirmos gerar 5% a mais de empregos, já ficaremos satisfeitos. 

Ricardo Xavier RH – Para enfrentar essa concorrência externa que é beneficiada também pela depreciação do dólar, o setor tem reforçado as ações de treinamento?

Tilkian – Na área administrativa, normalmente, as pessoas já chegam com um nível de escolaridade maior. Já na aérea de produção, encontramos trabalhadores ainda semi-especializados. No caso específico da Estrela, temos um trabalho de treinamento e acompanhamento dos primeiros meses de trabalho desses empregados e não temos tido dificuldades para contratar. O importante é que isso continue a ocorrer, porque, quando você tem mais pessoas empregadas, com aumento real de salário, isso se reverte em crescimento do mercado. As empresas poderão produzir mais e entrarão num ciclo de ajuda ao desenvolvimento do País. 

Ricardo Xavier RH – Qual tem sido a prioridade das ações de treinamento na Estrela?

Tilkian – Temos uma série de treinamentos que vão desde a adaptação da pessoa à empresa até informações sobre o perfil da Estrela e o nosso papel no mercado. É necessário conscientizar o novo funcionário que o nosso target é formado pelas crianças. A prioridade, hoje, está na elaboração das peças, na montagem e no desenvolvimento de embalagens. Depois, dependendo para qual setor da empresa será encaminhado o colaborador, temos programas específicos de treinamento para cada função.

 Ricardo Xavier RH - Qual o coeficiente de investimento em treinamento em relação ao faturamento da empresa?

Tilkian – O investimento está em torno de 5% do faturamento. Temos a necessidade de comprar máquinas, que são equipamentos muito caros. Investimos também na renovação de moldes e de linhas.

Ricardo Xavier RH – A expectativa de diminuição no ritmo de crescimento do PIB pode atrapalhar as contratações? 

Tilkian - No caso da Estrela, não. A companhia decidiu que reduzirá a importação e aumentará a produção nacional. Isso implica uma possibilidade de gerar mais empregos. Um fato curioso é que o preço médio do brinquedo no Brasil está abaixo de R$ 30, o que ajuda muito em momentos como este, no qual o governo aumenta a taxa de juros e faz restrições ao crédito. Isso diminui a capacidade de as pessoas adquirirem bens duráveis. A experiência nos mostra que nos anos em que as pessoas não têm a possibilidade de comprar tantos bens duráveis, o foco é dirigido para produtos como os nossos - brinquedos. A expectativa para este ano é positiva. 

Ricardo Xavier RH – Qual a expectativa de aumento de faturamento em relação a 2010?

Tilkian – O faturamento deve ser 20% maior e o setor deve crescer 15%. 

 Ricardo Xavier RH  Alguns fabricantes alegam que o preço do brinquedo, este ano, pode ficar até 15% maior, em razão da alta da alíquota do imposto de importação. Este repasse ao consumidor será feito? 

Tilkian – O aumento do imposto foi uma ação positiva do governo, mas com pouco efeito prático em razão dos ganhos que o câmbio proporciona aos importadores. As empresas que aumentaram os preços dos brinquedos querem se aproveitar da situação para ter alta no lucro. Não há razão para isso. Se for preciso, vamos até enxugar a margem de lucro.

 

 



   

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